O desmonte e o descaso da gestão Igor Normando (MDB) com a educação inclusiva volta a ser alvo de denúncias. O coletivo Belém Neurodiversa afirma que o Centro de Referência Gabriel Lima Mendes (CRIE), referência no atendimento a crianças com deficiência, está sendo enfraquecido. A retirada do coordenador Marcos Lopes, que sempre atuou junto às famílias, e a ausência de investimento na área acendem o alerta de pais, mães e profissionais.

Estudantes com deficiência enfrentam salas superlotadas e a falta de profissionais especializados. Paula Rezek, que faz parte do coletivo, relatou que sua filha sequer pôde frequentar as aulas porque a acompanhante estava doente, e não houve substituição. “Isso é inadmissível”, desabafa.

“Hoje a gente enfrenta no município salas lotadas, falta de profissionais capacitados, falta de acompanhante especializado, desorganização nas escolas e sobretudo, desrespeito”, denuncia Paula.

O CRIE, que oferece avaliação precoce, programas de inclusão e atendimento a crianças com deficiência, TEA e surdos, tem funcionado sem o devido apoio da Secretaria Municipal de Educação (Semec). Para o coletivo, a desestruturação é um ataque direto às políticas públicas de inclusão: “Nossos filhos merecem respeito e dignidade. Não aceitaremos o fechamento ou a redução desses serviços”, afirma o Belém Neurodiversa.

Falta de compromisso com a inclusão

A denúncia surge pouco mais de um mês após o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) expedir a Recomendação Conjunta nº 01/2025, cobrando do secretário de educação, Patrick Trajan e de Igor Normando medidas urgentes para agilizar e dar transparência ao processo de solicitação de Atendimento Educacional Especializado (AEE). Até hoje, famílias relatam que nada mudou.

Logo que assumiu, Igor Normando fechou as Salas de Recursos Multifuncionais e tentou o mesmo com o Centro, recuando apenas diante da forte reação de famílias e da repercussão negativa. No entanto, ao que tudo indica, seu projeto de desmonte da educação inclusiva segue em curso.

Para famílias e ativistas, o quadro não é fruto de descuido isolado, mas de uma política deliberada de abandono da educação inclusiva em Belém. A combinação de salas lotadas, má gestão e ausência de profissionais especializados resulta na prática em exclusão e negação do direito constitucional à educação.

 

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