Barco movido a hidrogênio verde e a Unidade de compostagem instalada em Belém. Fotos: William Brisida/Itaipu Binacional e Igapó

As ações anunciadas nesta semana em Belém, às vésperas e durante a COP30, reforçam um legado ambiental construído ainda na gestão do ex-prefeito Edmilson Rodrigues (PSOL). A implantação da primeira unidade pública de compostagem de resíduos orgânicos da capital, o barco movido a hidrogênio para coleta seletiva nas ilhas e o fortalecimento das cooperativas de catadores são desdobramentos diretos de políticas e parcerias iniciadas em 2024, durante o seu governo.

Assinatura de convênio histórico com o governo federal e a Itaipu Binacional, assinado pelo ex-prefeito Edmilson Rodrigues, em novembro de 2024. Foto: Ag. Belém

Em novembro de 2024, Edmilson firmou um convênio histórico com o governo federal e a Itaipu Binacional para investir R$ 47 milhões na estruturação de quatro cooperativas de materiais recicláveis em Belém. O acordo, assinado no galpão da Concaves, no bairro da Condor, marcou o início da modernização da coleta seletiva na capital, que à época, cobria apenas 3% dos resíduos sólidos urbanos. O pacote previa reformas estruturais, capacitação dos catadores, ações de educação ambiental e a criação de soluções tecnológicas sustentáveis, como o barco de coleta movido a hidrogênio verde, desenvolvido em parceria com a Fadesp e a Itaipu.

“Belém estava entrando na modernidade, mostrando que a reciclagem e o respeito ambiental podiam ser modelo para o Brasil e o mundo”, afirmou Edmilson na assinatura do convênio, destacando o protagonismo dos catadores no novo modelo de limpeza urbana.

Um ano depois, essas sementes começaram a dar frutos. A cidade inaugurou sua primeira central pública de compostagem de resíduos orgânicos, no último domingo, uma iniciativa realizada em parceria com o Instituto Pólis, o Global Methane Hub (GMH), a Casa Civil da Presidência da República, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o governo estadual e a Prefeitura de Belém. A unidade foi instalada justamente na sede da Concaves, uma das cooperativas beneficiadas pelo convênio assinado em 2024, e operada por catadores das redes Recicla Pará e Central da Amazônia, fechando o ciclo iniciado na gestão Edmilson.

A compostagem utilizará tecnologia de tambor rotativo, com capacidade para processar até 180 toneladas mensais de resíduos alimentares e restos de poda. O composto produzido será destinado à agricultura familiar, reduzindo emissões de gases de efeito estufa e gerando nova fonte de renda para os catadores. O sistema será responsável também por tratar parte dos resíduos gerados pela COP30, estimados em 13 toneladas diárias de orgânicos.

Além da compostagem, a Itaipu Binacional, parceira estratégica de Belém desde o convênio firmado em 2024, apresentou, durante nesta terça-feira (11), o barco 100% movido a hidrogênio, que será utilizado na coleta seletiva nas ilhas próximas à cidade. O equipamento simboliza o avanço do projeto de transição energética e economia circular iniciado ainda na administração anterior. Em sua programação na COP30, a Itaipu destacou Belém como exemplo de cidade amazônica que une catadores, inovação tecnológica e sustentabilidade.

As três iniciativas fruto do convênio de 2024 – a central de compostagem, o barco de hidrogênio e as reformas e adaptações nas quatro Unidades de Valorização de Recicláveis (UVRs) – formam um mesmo eixo de políticas estruturantes, voltadas à inclusão socioambiental e à preparação de Belém para sediar a COP30. Mesmo após o fim da gestão Edmilson, os projetos continuam a se desdobrar, evidenciando o planejamento de longo prazo que buscava fazer da cidade uma referência amazônica em gestão de resíduos e economia verde.

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