Enquanto as elites globais preparam seu teatro climático em Belém, a Amazônia sangra sob as garras do capital. A COP-30 não é solução – é a consolidação do maior assalto neocolonial do século XXI, onde crise vira oportunidade e a vida vira mercadoria. Foto: Carolina Rodrigues
Por Paulinho Rodrigues
A Máscara Verde do Capital
A VALE, que soterrou vidas em Mariana e Brumadinho, agora veste terno verde. A Bunge, que envenena solos e comunidades, financia discursos sustentáveis. O agronegócio, que devasta biomas, apresenta-se como guardião das florestas. Esta é a “necroeconomia da desfaçatez”: matam em nome da vida, destroem em nome da preservação.
A mineração se rebatiza de “mineração de minerais críticos”. A financeirização disfarça-se de “créditos de carbono”. A expropriação vira “serviços ambientais”. O capital, em sua genialidade perversa, transforma sua própria crise em novo ciclo de acumulação – e chama isso de solução.
O Governo Lula: Gerente do Agro-Hidro-Negócio
O governo que se diz progressista aplica o maior Plano Safra da história ao agronegócio, com R$ 364 bilhões para o capital do campo, enquanto a agricultura familiar recebe míseros R$ 71 bilhões – menos de 20% dos recursos, mesmo sendo responsável por 70% dos alimentos que chegam à mesa do povo brasileiro. Enquanto isso, a reforma agrária definha em editais pontuais. Ministérios ambientais viram fachadas decorativas enquanto a Ferrogrão e a BR-319 abrem as veias da Amazônia para o capital exportador.
A contradição é estrutural: não há justiça climática possível com o modelo do agronegócio. Não há soberania popular com a economia das commodities. O governo escolheu ser gestor do projeto de morte – e coloca indígenas e quilombolas na vitrine para esconder o genocídio em curso.
Belém: Retrato da Desigualdade Capitalista
A cidade-sede da COP-30 torna-se a segunda mais cara do Brasil. Centro histórico gentrificado, periferias expandidas, transporte público precarizado – o “desenvolvimento” chega como especulação imobiliária e expulsão dos pobres. O legado da COP é o mesmo de todos os megaeventos: cidade mercadoria para poucos, cidade abandonada para muitos.
A Resistência que Vem da Floresta
Enquanto nas salas climatizadas executivos negociam a vida, nos territórios se constrói a verdadeira alternativa:
• A Cúpula dos Povos
• A COP do Povo
• A COP das Periferias
Aqui não se fala em “transição” – fala-se em transformação. Não em “créditos”, mas em reforma agrária popular. Não em “compensação”, mas em justiça climática. A saída não virá das corporações que criaram a crise, mas dos povos que sempre souberam viver em harmonia com a natureza.
Por Que Devemos Tomar Partido
A COP-30 representa a fase superior do capitalismo verde: a financeirização total da vida. Cada árvore vira cifra, cada rio vira commodity, cada sabedor tradicional vira ativo biotecnológico.
Mas nas bordas do sistema, outra força se organiza. São indígenas, quilombolas, camponeses, trabalhadores urbanos que constroem na prática um projeto anticapitalista para a Amazônia. Sua luta não é por inclusão no mercado – é pela superação do mercado como forma de organização da vida.
A escolha é clara: de um lado, o capital verde e seu projeto de morte vestido de sustentabilidade. De outro, os povos em luta e seu projeto de vida baseado na comum-unidade.
A hora não é de reformar o sistema – é de enterrá-lo. E dessa vez, quem carregará a pá não serão os CEOs em seus jatinhos, mas o povo em seus territórios. A verdadeira transição será revolucionária, ou não será.
Às Armas, Amazônidas! A Terra Clama por Justiça!
*Paulinho Rodrigues é ativista dos direitos humanos, coordenador do Movimento Cabano em Apoio as Lutas pela Autodeterminação dos Povos – MOCAP








