Movimento comunitário denuncia paralisação das obras do Mata Fome e leva pauta de justiça climática à COP30. Foto: Divulgação

O movimento “Tapanã em Movimento”, formado por moradores do bairro do Tapanã, em Belém, participou da programação da Cúpula dos Povos e da Marcha Global pelo Clima, dois dos maiores eventos populares realizados durante a COP30. O grupo levou ao centro das discussões climáticas sua principal reivindicação: a implementação da macrodrenagem do igarapé Mata Fome, uma obra esperada há décadas pelos moradores da região periférica da capital.

A bandeira, porém, vai além da execução da obra. O movimento defende que qualquer intervenção respeite a função socioambiental do território.

“Não queremos que o Mata Fome seja reduzido a um canal de concreto. Queremos uma macrodrenagem que proteja vidas, recupere o que foi destruído e devolva ao igarapé sua importância ambiental e social”, afirmam os integrantes.

Para os moradores, a pauta climática se materializa no cotidiano. A cada período de chuvas, alagamentos, lama, poluição e perdas materiais são parte da rotina de centenas de famílias. “Para nós, a luta climática é sobrevivência. É conseguir chegar em casa quando chove. É não perder móveis, comida e dignidade a cada inverno”, dizem. O movimento também destaca que a recuperação do Mata Fome é essencial para garantir um futuro mais seguro e saudável para as crianças do bairro, que crescem vendo o igarapé como risco — não como vida.

De acordo com o coletivo, estar na Cúpula dos Povos e na Marcha Global reforça que “a periferia tem voz, tem pauta e tem projeto”. A macrodrenagem, defendem, é parte de uma disputa maior: a de construir um futuro em que o bairro não seja lembrado pelo descaso histórico, mas pela força de sua gente e pela defesa de seu território.

“O clima é global, mas os impactos são locais”, resume o movimento. E, com isso, os moradores garantem: o Tapanã esteve, está e seguirá em movimento.

Mesmo com recursos, obras do Mata Fome continuam paradas

Onze meses depois de tomar posse, o prefeito Igor Normando (MDB) mantém as obras de macrodrenagem da bacia do Mata Fome paralisadas. O projeto é estratégico para os bairros do Tapanã, Parque Verde, Pratinha e São Clemente, que convivem há décadas com alagamentos crônicos e falta de infraestrutura básica.

O mais grave é que os recursos estão garantidos, viabilizados pelo ex-prefeito Edmilson Rodrigues: R$ 300 milhões de crédito do Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata), destinados à macrodrenagem em si, e quase R$ 144 milhões do PAC Seleções, programa do governo Lula, para obras complementares, como a construção de 208 unidades habitacionais, pavimentação de vias, estação de tratamento de esgoto e regularização fundiária no bairro da Pratinha.

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