Ocupação do Acampamento Terra e Liberdade acontece no Retiro Bom Jesus, no complexo Santa Maria, em Curionópolis, sudeste paraense. Foto: CPT Pará 

Famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam, na manhã desta terça-feira (9), o Retiro Bom Jesus, área localizada dentro do complexo Santa Maria, em Curionópolis, no sudeste do Pará. A ocupação ocorre no dia em que se completam dois anos da tragédia que matou nove trabalhadores e trabalhadoras rurais no Acampamento Terra e Liberdade, durante a instalação de um serviço de internet no local.

Segundo o MST, a ação é pacífica e tem como objetivo pressionar o poder público pela imediata efetivação da reforma agrária na região. As famílias afirmam que, desde o episódio de 2023, participaram de diversas reuniões e mesas de negociação com o Incra e com o governo federal, sem que as promessas de assentamento definitivo fossem concretizadas.

À época da tragédia, o então recém-empossado ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, visitou o acampamento e anunciou o compromisso de resolver a situação das famílias até o Natal de 2023. Quase um ano depois, segundo o movimento, a maioria das famílias segue sem terra regularizada, assistência técnica ou segurança adequada.

“O que estamos fazendo hoje é dar um passo a mais na luta. As famílias cansaram de esperar respostas que nunca chegaram”, afirma a direção estadual do MST no Pará. O movimento reivindica o assentamento imediato das famílias, a retomada da pauta estadual da reforma agrária e a presença de representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário e da Secretaria-Geral da Presidência da República para dar respostas às pendências acumuladas.

Área sob investigação do Ministério Público Federal

O Retiro Bom Jesus está inserido no complexo Santa Maria, área que já foi alvo de procedimentos extrajudiciais do Ministério Público Federal (MPF). Conforme registrado em documento oficial do órgão, o complexo é objeto de investigações que apuram suspeitas de falsidade ideológica e de inserção de dados falsos em sistemas de informação, no contexto da regularização e da documentação fundiária da área.

As apurações dizem respeito a possíveis irregularidades em registros e cadastros oficiais relacionados à posse e à titulação das terras. O MPF não atribui crimes de forma definitiva, mas aponta a existência de procedimentos formais de investigação, o que reforça, segundo o MST, o caráter irregular e improdutivo do latifúndio ocupado.

Reivindicações

Além do assentamento, o movimento reivindica a retomada da pauta estadual do MST no Pará, que incluiria medidas ainda pendentes de cumprimento pelo governo estadual. As famílias também cobram a responsabilização das autoridades competentes e da mineradora Vale, que atua na região, em relação às condições que cercam os conflitos fundiários e a segurança no território.

O movimento reforça que a ocupação ocorre de forma organizada e pacífica, e que a produção de alimentos saudáveis é parte central da proposta de reforma agrária defendida pelas famílias.

“Nós não vamos parar até que a reforma agrária seja uma realidade concreta para o nosso povo. Só a luta tem se mostrado capaz de mudar a nossa realidade”, afirma a direção estadual do MST.

 

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