Centro de Dança Ana Unger traz de volta “Depois da Chuva” ao palco do Theatro da Paz
Após o sucesso da temporada em setembro, está de volta ao Theatro da Paz, neste sábado, 20, às 19h30, e domingo, 21, às 18h, “Depois da Chuva – A História de Belém”, obra que celebra os mais de 400 anos da capital paraense. Crédito: Valério Silveira

Após a boa recepção das apresentações realizadas em outubro, Depois da Chuva retorna ao palco para mais duas sessões, reafirmando seu diálogo com a memória, a história e o imaginário de Belém. O espetáculo propõe um olhar poético sobre a cidade, conectando passado e presente e convidando o público a refletir sobre os afetos, as permanências e as transformações que moldam a experiência urbana amazônica.

Estruturado em dois atos e reunindo cerca de 300 bailarinos em cena, o espetáculo constrói uma narrativa que atravessa o tempo. No primeiro ato, a cena é conduzida por Zman, o Senhor do Tempo, que acompanha uma menina em uma travessia simbólica pelas lendas, pela história e pelos mitos da Amazônia. Surge então Amanacy, a Mãe da Chuva, figura central que evoca a força da natureza e do imaginário popular.

A dramaturgia coreográfica revisita episódios como a Cabanagem, a religiosidade do povo paraense e a presença dos diferentes fluxos migratórios que contribuíram para a formação cultural de Belém.

O segundo ato desloca o olhar para a virada do século e celebra a Belle Époque amazônica, com referências à memória do Theatro da Paz e à produção musical de compositores fundamentais da história cultural da cidade, como Waldemar Henrique, Araújo Pinheiro, Iva Rothe, Luiz Pardal, Salomão Habib, Tynnôko Costa e Altino Pimenta.

O carimbó surge como expressão de resistência e vitalidade da cultura popular, enquanto uma homenagem à bailarina Anna Pavlova se materializa na referência à coreografia A Morte do Cisne, conectando Belém a um imaginário universal da dança.

Para Ana Unger, diretora geral e artística, o espetáculo vai além da celebração estética. “Ao trazer à cena artistas, histórias e expressões muitas vezes esquecidas ou silenciadas, reafirmamos a dança como linguagem de memória, pertencimento e reflexão. É também uma forma de pensar a Amazônia diante dos desafios do presente”, afirma.

A encenação de Depois da Chuva reúne um time de criação reconhecido, com Roberta Carvalho e Roberto Eliasquevici no vídeo mapping, Rubens Vieira Almeida na iluminação, Miguel Campos Neto na direção musical e Alcides Jr. no figurino. O conjunto resulta em uma experiência cênica que articula dança, música e tecnologia como homenagem às múltiplas vozes que constituem Belém.

Fundado em 1998, o Centro de Dança Ana Unger acumula mais de 70 espetáculos originais ao longo de seus 27 anos de trajetória, transitando entre remontagens de repertório clássico e criações autorais profundamente conectadas às raízes amazônicas. Atualmente, a companhia mantém um elenco de 24 bailarinos e 10 estagiários, selecionados por meio de audições abertas no Pará, reafirmando seu papel como espaço de formação, pesquisa e renovação da dança no Estado.

Coreografias apresentadas
Chuva – Cabanagem – Fé – Imigrantes – Noite de Walpurgis – Morte do Cisne – Lendas Amazônicas – Grand Finale
Ficha Técnica
Direção geral e artística: Ana Unger
Elenco principal: Christian Petterson (Zman, Senhor do Tempo), Raynara (Menina) e Noemia Tavares (Amanacy, Mãe da Chuva)
Coreografia: Centro de Dança Ana Unger
Vídeo mapping: Roberta Carvalho e Roberto Eliasquevici
Iluminação: Rubens Vieira Almeida
Direção musical: Miguel Campos Neto
Figurino: Alcides Jr. e Galpão das Artes
Companhia: 24 bailarinos e 10 estagiários

Serviço
Espetáculo: Depois da Chuva – A História de Belém
Local: Theatro da Paz – Belém (PA)
Datas: sábado, 20 de dezembro, às 19h30, e domingo, 21 de dezembro, às 18h
Ingressos: www.ticketfacil.com.br/tp-depois-da-chuva.html

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