Moradores no entorno do canal do Mata Fome, em Belém, sofrem com constantes alagamentos. Mesmo com recursos, obra de saneamento está parada. Foto: Foto: Alvaro Vinente/Ag. Belém
O estado do Pará aparece como um dos principais focos de precariedade no saneamento básico brasileiro, segundo o Ranking do Saneamento 2026, divulgado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados. O levantamento analisa os 100 municípios mais populosos do país e revela que cidades paraenses ocupam posições críticas, especialmente nos indicadores de coleta e tratamento de esgoto.
De acordo com o estudo, quatro municípios do Pará estão entre os 20 piores do país: Belém, Ananindeua, Santarém e Parauapebas. A presença expressiva do estado nesse grupo evidencia um cenário estrutural de déficit histórico em serviços essenciais, com impactos diretos na saúde pública e na qualidade de vida da população. Milhões de pessoas vivem sem acesso a serviços básicos, convivendo com esgoto a céu aberto, contaminação de rios e maior exposição a doenças.
A capital paraense, Belém, aparece na 94ª posição entre os 100 maiores municípios analisados, figurando entre os piores desempenhos do país. O estudo também destaca que Belém está entre as capitais com os piores indicadores de saneamento, ao lado de cidades como Manaus, São Luís e Porto Velho.
Os dados mostram que, apesar de um nível relativamente alto de atendimento de água (88,18%), o principal gargalo está no esgoto: apenas 25,27% da população tem acesso à coleta, e menos de 25% do esgoto é tratado.
A situação também é grave em outros municípios da Região Metropolitana e do interior. Ananindeua aparece na 91ª posição e apresenta apenas 39,39% de cobertura de água, um dos piores índices do país. Santarém, na última colocação (100º lugar), tem apenas 3,28% de coleta de esgoto e cerca de 9,26% de tratamento, índices extremamente baixos. Parauapebas, apesar de melhor desempenho em água, também figura entre os piores colocados, na 96ª posição.
Pará concentra parte significativa do atraso nacional
Entre os 20 piores municípios do ranking, quatro são do Pará, o que coloca o estado como um dos principais polos de déficit no país, ao lado de estados como Rio de Janeiro e Pernambuco.
Além disso, o levantamento mostra que nenhum dos municípios desse grupo atinge a meta de 90% de coleta de esgoto prevista no novo marco legal do saneamento. A média de coleta entre os piores é de apenas 28,06%, bem abaixo da média nacional de 56,7%. O tratamento de esgoto também é baixo, com média de 28,36%, pouco mais da metade do índice nacional.
O Ranking do Saneamento avalia indicadores como acesso à água, coleta e tratamento de esgoto, investimentos e eficiência dos sistemas. Os dados utilizados são do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), referentes a 2024.
O desempenho negativo do Pará reflete uma combinação de fatores históricos como baixa capacidade de investimento, expansão urbana desordenada, fragilidade institucional e dependência de sistemas estaduais com limitações operacionais.
O novo marco legal do saneamento estabelece metas ambiciosas até 2033: 99% de cobertura de água e 90% de coleta e tratamento de esgoto. No entanto, os dados do ranking indicam que municípios paraenses ainda estão muito distantes desses objetivos.
Abaixo o ranking dos piores municípios:














