Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu, nesta quinta-feira (2), as críticas feitas pelos Estados Unidos ao sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix. Em evento realizado em Salvador (BA), Lula afirmou que a ferramenta deve ser aprimorada para atender a população, mas rejeitou qualquer interferência externa.

“O Pix é do Brasil e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix, pelo serviço que ele está prestando a sociedade brasileira”, disse Lula, sobre o sistema do Banco Centra (BC).

As declarações foram uma resposta ao relatório anual do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, divulgado no último dia 31 de março. O documento aponta que empresas americanas temem que o BC brasileiro conceda tratamento preferencial ao Pix em detrimento de outros sistemas de pagamento.

“O Banco Central do Brasil criou, detém, opera e regula o Pix, uma plataforma de pagamentos instantâneos. Nos Estados Unidos, partes interessadas expressaram preocupação com o fato de o Banco Central do Brasil conceder tratamento preferencial ao Pix, que desfavorece os fornecedores de serviços de pagamento eletrônico dos Estados Unidos”, diz o texto. O relatório também menciona que o BC exige o uso do Pix por instituições financeiras com mais de 500 mil contas.

Investigação dos EUA e histórico de tensão

Em 2025, o governo do presidente Donald Trump abriu uma investigação interna sobre práticas comerciais do Brasil consideradas supostamente “desleais”. O Pix estava entre os alvos. Um dos motivos especulados para a medida é o suposto favorecimento do sistema em relação ao WhatsApp Pay, aplicativo da Meta, empresa de Mark Zuckerberg — aliado de Trump —, em 2020.

Na ocasião, o Itamaraty respondeu que o Pix foi criado para garantir a segurança do sistema financeiro, sem discriminar empresas estrangeiras. A defesa brasileira destacou ainda que a administração pelo Banco Central assegura neutralidade ao sistema e que outras autoridades monetárias, como o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), testam ferramentas semelhantes.

O Pix foi lançado oficialmente no Brasil em 16 de novembro de 2020, mas os estudos para sua implementação começaram pelo menos em maio de 2018.

Relatório dos EUA aborda outras barreiras

Além do Pix, o Relatório de Estimativa do Comércio Nacional de 2026 trata de outras questões relacionadas ao Brasil que, segundo os EUA, representariam “barreiras” ao comércio exterior americano. Entre os temas citados estão: mineração ilegal de ouro, extração ilegal de madeira, leis trabalhistas brasileiras, legislações sobre plataformas digitais, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a taxa de uso de rede e satélites.

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