Fotos: Vídeo reprodução

Um vídeo que circula nas redes sociais nesta segunda-feira (13) mostra uma cena de violência nas proximidades do Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa), na Avenida Alcido Cacela, no Umarizal, em Belém. As imagens indicam que dois jovens, apontados como estudantes da instituição, teriam utilizado um aparelho de eletrochoque (taser) para atingir uma pessoa em situação de rua que caminhava pela via.

Segundo relatos que acompanham o vídeo, a agressão teria ocorrido durante um jogo de “verdade ou desafio”. Nas imagens, o ataque é feito pelas costas, e, em seguida, os jovens aparecem fugindo, rindo, em direção à instituição de ensino.

A cena foi presenciada por trabalhadores que passavam pelo local, incluindo motoboys, que reagiram e tentaram alcançar os jovens. Para escapar, os suspeitos entraram no prédio do Cesupa, sendo seguidos até a portaria, onde seguranças intervieram para conter a confusão.

Deputada cobra investigação e medidas do MPPA

A repercussão do caso levou a deputada estadual Lívia Duarte (PSOL) a cobrar providências imediatas das autoridades e da instituição de ensino. A parlamentar solicitou a abertura de investigação junto ao Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) e pediu esclarecimentos formais à reitoria do Cesupa.

Nos ofícios encaminhados, Lívia Duarte classificou o episódio como uma possível prática de lesão corporal ou até tortura, destacando também elementos de humilhação e aporofobia, preconceito direcionado a pessoas em situação de pobreza. “Segundo os relatos, o ato de violência gratuita teria sido perpetrado como parte de um jogo denominado ‘verdade ou desafio’, evidenciando um completo desprezo pela dignidade humana”, afirmou.

A deputada solicitou que o MPPA apure a autoria e a materialidade do caso, requisitando imagens do sistema de vigilância da instituição. Também pediu que sejam avaliadas eventuais responsabilidades administrativas e criminais.

Em documento enviado ao reitor da instituição, a parlamentar questiona quais medidas disciplinares serão adotadas, além dos protocolos de segurança e monitoramento nas imediações do campus. Ela também cobra esclarecimentos sobre eventual colaboração da faculdade com as investigações.

Ao comentar o episódio, Lívia Duarte fez uma comparação com o assassinato do indígena Galdino Jesus dos Santos, queimado vivo em Brasília, em 1995, também em um contexto de violência praticada por jovens. Para a deputada, a repetição de episódios desse tipo exige resposta firme do Estado. “A reiteração dessa mentalidade exige uma resposta enérgica, sob pena de normalizarmos a barbárie travestida de entretenimento”, declarou.

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