Robertina Silva (ex-beneficiária do BF) na Banca da Robertina, de produtos tradicionais aromáticos e de cura, em Belém-PA. Fotos: Lyon Santos/ MDS
Segundo dados do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), 98% dos empregos formais gerados em 2024 no Brasil foram preenchidos por integrantes do CADÚnico, cadastro de famílias brasileiras de baixa renda, e 75% deles foram para beneficiários do programa de transferência de renda Bolsa Família, do Governo Federal. Naquele ano, mais de 1,3 milhão de famílias deixaram o programa por aumento de renda.
Dados mais recentes revelam que essa é uma tendência constante: no primeiro bimestre (janeiro e fevereiro) de 2026, os beneficiários do programa Bolsa Família preencheram 207.900 vagas de emprego, o que representa 56,1% de todos os empregos formais gerados no Brasil; 300.728 vagas foram ocupadas por inscritos CadÚnico, o que equivale a 81,2% das contratações.

A retomada do Bolsa Família, em 2023, veio com uma série de políticas que facilitam o caminho para a saída do programa de transferência de renda. Em conjunto com a reestruturação do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), com a volta de políticas de segurança alimentar e nutricional, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Cisternas, e a estratégia nacional de combate à fome, o Bolsa Família promoveu a saída de 24,4 milhões de pessoas da insegurança alimentar grave em 2023.
Como resultado, em julho de 2025, o Brasil saiu novamente do Mapa da Fome, o que havia conquistado pela primeira vez em 2014. O anúncio foi feito pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU), que colocou o país abaixo do patamar de 2,5% da população em risco de subnutrição ou de falta de acesso à alimentação suficiente.
Estudo “Filhos do Bolsa Família: uma análise da última década do programa”, apresentado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostra que o Bolsa Família tem sido, nos últimos 12 anos, um dos principais responsáveis pela quebra do ciclo de pobreza no Brasil: desde 2014, 70% dos adolescentes que estavam em lares que recebiam o benefício deixaram de depender dele.








