Leão XIV e o Arcebispo Paolo Rudelli, substituto da Secretaria de Estado. Foto: Vatican Media

Por Aldenor Junior

O Papa Leão 14 acaba de lançar sua primeira Encíclica, um pouco mais de um ano após ser sagrado líder máximo da Igreja Católica. ”Magnifica Humanitas” (humanidade magnífica, em lati) vai muito além de um diagnóstico dos tempos de extremos e de ameaças vorazes contra a própria sobrevivência da Terra. Corajosamente, o Sumo Pontífice alerta para as novas “formas de escravidão” e para os riscos que uma IA a serviço dos grandes monopólios estão trazendo, sem regulação alguma e apenas movidos pela sede de lucro e de poder.

Contudo, o Papa foi além: apontou a escravização dos seres humanos como uma “ferida na memória cristã”. E, de forma inédita, pedir perdão aos milhões de seres humanos vítimas deste “flagelo”.

Diz o Papa: “Por isso, em nome da Igreja, eu sinceramente peço perdão”.

Foi um gesto necessário, mesmo que surja com tantos séculos de atraso. Vale, isto sim, a força moral da atitude e seu exemplo para um mundo que se esvai em guerras genocidas.

Cabe, agora, dar um passo adiante: além de reconhecer o crime, a Igreja precisa caminhar para a reparação, construindo ações que mitiguem os efeitos seculares da escravidão, seja na África, seja na América Latina e no Caribe.

Aldenor Junior é jornalista. 

Deixe um comentário