Trabalhadores e trabalhadoras protestam contra a escala 6×1 | Crédito: Elineudo Meira/@fotografia.75.
Por Aldenor Junior
Sempre haverá quem diminua a importância do avanço obtido ontem, 25, com o acordo entre Lula e a Câmara , através do presidente Hugo Motta, que deve destravar a votação da PEC do fim da escala 6 X 1. Contudo, só a má-fé ou a miopia política poderão desprezar uma conquista histórica dessa magnitude. Afinal, desde a Constituição de 1988, há 38 anos, todas as mudanças no mundo do trabalho foram para retirar direitos, amputar garantias da CLT e implementar um cenário de predominância dos interesses do capital sobre o trabalho.
O relatório apresentado assegura o fim imediato – 60 dias após a promulgação da Emenda Constitucional – da escala 6 X 1, ou seja, implementa já em 2026, a modalidade 5 X 2, ao mesmo tempo em que reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário, muito embora sendo necessário um período de transição de mais 12 meses para que os agentes econômicos, sobretudo os micro e pequenos empreendedores, adaptem-se às mudanças.
O bolsonarismo está isolado. Um obscuro deputado do PL gaúcho pediu vistas e, assim, adiou a votação na comissão especial.
A previsão é que até o final de semana a matéria vá ao plenário e, após aprovada, siga para o Senado. E é aí que mora o perigo maior.
A condução estará a cargo do lombrosiano Davi Alcolumbre, que não tem demonstrado qualquer simpatia a esta bandeira que ostenta apoio de mais de 70% da população brasileira.
Em resumo, foi dado um passo, sem dúvida muito relevante, mas há muito chão (e perigos) pela frente.
Nunca é demais recordar que no DNA dessa proposta está o PSOL. Foi o vereador carioca Rick Azevedo, um jovem negro e periférico, que ajudou a criar o Vida Além do Trabalho (VAT), responsável por lançar a proposta nas redes e nas ruas. E, claro, foi da deputada
Érika Hilton a autoria da PEC que em breve se transformará em trecho incorporado à Constituição.
Isso só revela o quanto o PSOL é imprescindível e cada dia mais uma referência obrigatória para as classes que vivem de seu próprio trabalho em nosso país.
Aldenor Junior é jornalista.








