Fotos: arquivo/divulgação

Por Aldenor Junior

Na primeira foto, em escala de cinza, ele fala à multidão. Anos 1990, na mesma terra em que nascera na virada da segunda metade do século XX.

Ninguém é um qualquer. Todo ser humano pode e deve ser multidão.

Pode e deve carregar em suas veias sangues ancestrais, passos que vêm de muito longe.
Na imagem abaixo, de um colorido que o tempo tenta, mas não consegue desbotar, uma verdadeira multidão.

São rostos em profusão, como se formassem uma só argamassa. Há euforia, há expectativa. Numa palavra, há esperança.

Um fio condutor une essas duas imagens.

De um lado, um homem, o mundo e suas circunstâncias.

Há, para usar a palavra mais adequada, um líder. Um homem-multidão.

De outro, uma multidão, sim, muitos rostos, braços levantados, sorrisos e, como já dito, esperança que se infiltrava sorrateira em cada gesto.

Como ninguém é um qualquer, também os momentos são únicos.

Belém, no final dos anos 1990, viveu sua revolução.

Como sempre, uma revolução que veio de baixo e forjada pelas únicas mãos capazes desse mister.

Por que a cidade, que já fora a trincheira dos cabanos há bem mais de século e meio, se levantou novamente em armas? Dessa vez, empunhando o próprio braço para simbolizar que, a partir daquele momento, era o povo senhor de seu próprio destino.

Edmilson Brito Rodrigues, arquiteto, urbanista e professor. Prefeito e líder dessa ruidosa transformação movida pelo povo. E, desenhando a moldura imprescindível, a multidão que se move.

Haveria muitas formas de homenageá-lo, certamente, no dia em que ele completa mais um ano de vida.

Essa, que o coloca no centro de uma história inacabada – aliás, utopia que segue caminhando – é a que mais faz jus a seu legado, acima de tudo, promessa de futuro.

Aldenor Junior é jornalista

Foto 1 : Plenária do Orçamento Participativo, 1998
Foto 2 : Concentração popular na Aldeia Cabana, fins dos anos 1990

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