Médicos pediatras afirmam que estão sem receber plantões desde fevereiro. Foto: Ponto de Pauta
Médicos pediatras que atuam no Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, o PSM da 14, em Belém, denunciam atraso no pagamento dos plantões desde fevereiro deste ano. A situação foi tornada pública pelo Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa), que informou ter recebido relatos e documentos sobre a falta de pagamento aos profissionais responsáveis pelo atendimento pediátrico da unidade.
Segundo o sindicato, os pediatras continuam trabalhando em um serviço essencial e de alta demanda, mesmo sem receber pelos plantões realizados. Em documento encaminhado à empresa OnSaúde, à Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma), à direção do hospital, ao Conselho Regional de Medicina do Pará (CRM-PA) e ao próprio Sindmepa, a equipe médica afirma que a situação se tornou financeiramente insustentável.
Os profissionais relatam que não recebem desde fevereiro de 2026. O pagamento referente ao mês de março, que deveria ter sido quitado em maio, também segue sem previsão de regularização. Diante disso, os médicos informaram que podem paralisar parcialmente as atividades a partir desta sexta-feira (29), reduzindo o atendimento a 30% do fluxo normal, com assistência apenas aos pacientes classificados como laranja e vermelho pelo protocolo de Manchester, ou seja, os casos de maior gravidade e urgência.
No comunicado, os profissionais afirmam que a administradora OnSaúde teria informado que não recebeu os repasses da Sesma. Os médicos cobram a definição de um cronograma de pagamento “organizado e justo” para garantir a remuneração dos plantões e a continuidade do serviço à população.
Em nota, o Sindmepa classificou a situação como inadmissível e afirmou que o caso revela a precarização das relações de trabalho na saúde pública, além dos efeitos da terceirização sem garantias de regularidade financeira para os profissionais. Para a entidade, trabalhadores da saúde não podem seguir desempenhando funções essenciais sem a devida contraprestação financeira, especialmente em uma área sensível como a urgência e emergência pediátrica.
O sindicato iniciou um levantamento formal dos profissionais atingidos e dos períodos de atraso, com o objetivo de reunir documentos para possíveis medidas administrativas e jurídicas. A entidade também deve buscar esclarecimentos com os responsáveis pela contratação e gestão do serviço.
O CRM-PA informou que recebeu, na terça-feira (26), o documento sobre a possível paralisação dos pediatras e que acompanha o caso. O conselho afirmou que adotará as medidas cabíveis junto aos órgãos competentes e às equipes médicas envolvidas, em defesa da boa prática médica, da ética profissional e da assistência à população.
A possível paralisação do atendimento pediátrico se soma a outros problemas já registrados no PSM da 14. Em abril, uma vistoria conjunta do CRM-PA e da Defensoria Pública do Estado apontou que a unidade estava sem cobertura neurocirúrgica desde 13 de março de 2026, deixando pacientes com traumatismo craniano, AVC hemorrágico e outras emergências neurológicas sem atendimento especializado.








