Vereador Romildo Veloso. Reprodução: Câmara Municipal de Ourilândia do Norte

O vereador e ex-prefeito de Ourilândia do Norte, Romildo Veloso (PP), tentou matar a ex-esposa, lcicléia Alves Veloso, durante a assinatura do divórcio em Ourilândia do Norte, no sudeste do Pará, nesta quarta-feira (3). A vítima está internada em uma unidade de terapia intensiva (UTI) no Hospital Regional da PA-279, seu estado é gravíssimo, e em “coma profundo”.

Romildo e Ilcicléia estavam em um escritório de advocacia para formalizar o divórcio e a partilha de bens, quando o ex-marido solicitou conversar com Ilcicleia em particular por alguns instantes. Neste momento, os disparos ocorreram. Depois disso, Veloso foi a um dos banheiros do escritório, onde disparou contra si próprio, sendo encontrado morto. Eles estavam separados há três meses, e o vereador não aceitava o fim do relacionamento. Eles têm dois filhos menores de idade.

Aumento dos feminicídios

O caso se soma a um cenário persistente de violência de gênero no Brasil e no Pará. O Atlas da Violência 2026, produzido pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta que a prevalência dos feminicídios e da violência sexual segue ligada à permanência de uma cultura patriarcal e misógina, que naturaliza o controle sobre a vida das mulheres e a violência diante da recusa, da separação ou do fim de relacionamentos.

Segundo o estudo, os homicídios de mulheres ocorridos dentro de residências são usados como uma medida indireta para observar a evolução dos feminicídios no país. A conclusão é de que, enquanto os homicídios de mulheres fora de casa acompanharam a queda geral da violência letal, as mortes dentro das residências permaneceram em patamar mais estável, indicando que a violência doméstica e os feminicídios não recuaram na mesma intensidade.

Em outras palavras, a casa, o casamento e a relação afetiva seguem sendo espaços de risco para muitas mulheres. O Atlas destaca que essa estabilidade histórica dos homicídios de mulheres dentro de residências é “inaceitável” e revela que a violência de gênero exige respostas que vão além da repressão penal, com prevenção, proteção efetiva, educação para igualdade de gênero e enfrentamento da misoginia desde a infância e adolescência.

O Pará segue acima da média nacional nos homicídios de mulheres. Em 2024, foram registrados 170 assassinatos de mulheres no estado, com taxa de 3,9 mortes por 100 mil mulheres, enquanto a média brasileira foi de 3,4. O recorte racial mostra que a maior parte das vítimas é formada por mulheres negras: das 170 mulheres assassinadas no Pará, 147 eram negras, o equivalente a mais de 86% do total.

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