Presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP). Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Por Aldenor Junior
Mais uma reunião e nada de acordo. Davi Alcolumbre tem seus próprios interesses e pouco importa se suas atitudes serão responsáveis por adiar ou mesmo inviabilizar a maior conquista trabalhista em décadas.
O senador amapaense segue sequestrando a pauta do Senado . Apesar da pressão do governo e da sociedade através das redes sociais, ele não dá sinais de que pretenda destravar a tramitação da PEC que acabou com a escala 6 X 1 e reduziu a jornada semanal para 40 horas, conforme aprovado pela ampla maioria da Câmara há poucas semanas.
Quais são seus interesses verdadeiros?
Prejudicar a campanha do presidente Lula e favorecer Flávio Bolsonaro é a face mais evidente, mas talvez nem seja o mais relevante.
Ao que parece, Alcolumbre insiste em obter um salvo-conduto nas investigações do escândalo do Banco Master. Com as brasas acesas sob seus pés, o cardeal do União Brasil quer praticamente o impossível, uma espécie de acordo secreto que lhe conceda imunidade completa, independente dos muitos indícios de sua participação nas falcatruas de Daniel Vorcaro e sua gangue.
Enquanto isso, encastelado em seus poderes imperiais, o presidente do Senado age como um chefe mafioso, exigindo que se forme uma enorme fila de sequazes para a cerimônia do beija-mão.
Triste país que se deixou dominar pela mais fina expressão de uma política que já não se diferencia da mais escrachada bandidagem de terno e gravata.
Aldenor Junior é jornalista.








