Foto: Marcos Barbosa
A deputada estadual Lívia Duarte (PSOL) registrou, na tribuna da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), o seu repúdio ao processo de esvaziamento do Museu de Arte de Belém (MABE) pela gestão do prefeito Ígor Normando, nesta terça-feira, 9 de junho. “Esse é um golpe terrível na cultura do município de Belém, golpe que também revela muito da incapacidade do governo Ígor”, declarou.
O MABE vem sendo alvo da mobilização de artistas, educadores e servidores públicos, que realizaram protestos de rua e lançaram um abaixo-assinado em defesa da conservação do espaço do MABE e da valorização do seu acervo. Fundado em 1991, o MABE está instalado no Palacete Antônio Lemos, imóvel tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), onde divide espaço com o Gabinete da Prefeitura.
Na tribuna, Lívia Duarte expôs as deficientes condições de funcionamento do espaço, que “perdeu o status de departamento, o rebaixamento fez perder o orçamento próprio, significa que é um museu sem dinheiro próprio”, o que fragiliza as condições de auto sustentabilidade institucional. Ela lembrou que o MABE passou a ser dirigido “por um matemático” – Josias Higino Filho, recém nomeado ao cargo, é filho de um vereador de Belém – e sofre com a falta de profissionais qualificados para resguardar, pesquisar e expor o acervo da instituição, que conta com obras raras, inclusive algumas delas centenárias.
A deputada lembrou que o imóvel e o acervo do museu passaram por longo processo de revitalização e restauro durante a gestão do ex-prefeito Edmilson Rodrigues, tendo sido entregues à população em 12 de janeiro de 2024. “Isso significa que foram investidos ali recursos públicos, significa também que foi prioridade de governo”, acrescentou.
O desmonte do MABE foi questionado pela deputada em recente ofício enviado à secretária municipal de Cultura e Turismo de Belém (Semcult), Cilene Sabino. O documento também pediu informações sobre o Museu Casa Francisco Bolonha (MCFB), que funciona no Palacete Bolonha. No ofício, a deputada apontou a desativação da sala expositiva Armando Balonni, do MABE, e a carência de equipes técnicas qualificadas nos dois espaços, especialmente no MCFB, onde estariam trabalhando apenas estagiários. Ainda, conduziu uma recente sessão especial com museólogos, na Alepa, que debateu as condições dos museus estaduais e municipais, bem como a necessidade de valorização profissional desses especialistas.
“O meu abraço àqueles que defenderam o MABE na última semana e que lutam pela memória e pela cultura no estado do Pará. Tenho o compromisso de seguir lutando para que a cultura e a memória sejam valorizados e tratados com dignidade e profissionalismo. Meu repúdio ao desmonte do MABE. Viva o Museu de Arte de Belém!”, concluiu Lívia Duarte, na tribuna.








