Mostra Ecocultural apresentou resultados de seis meses de trabalho comunitário em defesa do Rio Tucunduba, com ações de adaptação climática, recuperação de praças e formação de agentes socioambientais. Foto: Divulgação
O Projeto Periferia Viva – Tucunduba Verde e Resiliente apresentou os resultados de seis meses de trabalho comunitário em defesa do Rio Tucunduba e de sua bacia urbana. A culminância ocorreu durante a Mostra Ecocultural Tucunduba Verde e Resiliente, realizada no domingo (21), na esquina da Rua dos Mundurucus com a Avenida Tucunduba, reunindo moradores, instituições parceiras, agentes socioambientais e grupos da cultura popular.
A iniciativa é desenvolvida pelo Ministério das Cidades, pela Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa da Universidade Federal do Pará (Fadesp/UFPA), pela Associação Cultural Amazônica Boi Marronzinho e pelo Chalé da Paz. Ao longo dos últimos meses, o projeto envolveu comunidades dos bairros da Terra Firme, Marco, Guamá, Canudos e Universitário em ações voltadas à adaptação climática, educação ambiental, valorização da memória local e defesa do Rio Tucunduba.
Entre os principais resultados apresentados está o mapeamento de 35 pontos sensíveis a alagamentos, degradação ambiental e calor extremo nos bairros alcançados pelo projeto. O levantamento foi construído com a participação das comunidades e integra a proposta de aplicação de Soluções Baseadas na Natureza (SBNs) para enfrentar os impactos das mudanças climáticas nas periferias urbanas.
As medições realizadas durante o trabalho também revelaram a diferença de temperatura entre áreas impermeabilizadas e espaços com vegetação. No asfalto, a temperatura chegou a 42 graus. Em área sombreada por árvore, sobre piso de cimento, atingiu 32 graus. Já na grama de uma praça, a temperatura registrada foi de 29 graus. Os dados reforçam a importância da arborização e da recuperação de áreas verdes como estratégias de proteção climática nos bairros periféricos.
O projeto também realizou o plantio de 200 espécies de árvores frutíferas e regionais, com o objetivo de ampliar a cobertura vegetal, melhorar o conforto térmico e fortalecer a sustentabilidade climática dos territórios. Além disso, quatro praças passaram por ações de recuperação, jardinagem e cuidado comunitário, recebendo placas com nomes que valorizam a cultura, a história local e o empoderamento das comunidades.
Outro resultado importante foi a formação de 100 agentes socioambientais, que receberam certificação durante a mostra. Esses agentes devem atuar no diálogo com moradores sobre os resultados preliminares do mapeamento histórico e afetivo da ocupação da Bacia do Tucunduba, fortalecendo os laços de convivência, pertencimento e valorização patrimonial.
Segundo Myrian Cardoso, professora da Faculdade de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFPA e assessora colaborativa do projeto, a proposta tem como eixo o empoderamento das comunidades e a defesa do Rio Tucunduba vivo e resiliente. Ela destaca que a Secretaria Nacional de Periferias, do Ministério das Cidades, tem como missão combater desigualdades socioespaciais e promover o desenvolvimento sustentável de territórios periféricos por meio de políticas públicas de urbanização, melhorias habitacionais, regularização fundiária e prevenção de riscos climáticos.
A mostra também apresentou a importância da Bacia de Evapotranspiração, tecnologia social e ecológica de tratamento de esgoto que transforma dejetos humanos em adubo e vapor de água, evitando a contaminação do solo e dos lençóis freáticos. A solução é especialmente relevante para áreas onde ainda faltam políticas públicas de saneamento e coleta de esgoto.
Para o segundo semestre, o Projeto Periferia Viva prevê novas etapas de formação e intervenção territorial. Estão programadas 50 oficinas para agentes construtores, a formação de 10 guardiões socioambientais e a implantação de 30 protótipos de Soluções Baseadas na Natureza.
A programação foi encerrada com um cortejo cultural em comemoração aos 33 anos da Associação Cultural Amazônica Boi Marronzinho, da Terra Firme. Participaram também o Boi Vagalume, da Marambaia; o Boi Juventude Curumim Tabatinga, do Guamá; e o Boi Rei da Barão, da Sacramenta. A atividade uniu cultura popular, memória comunitária e mobilização socioambiental em defesa do Tucunduba.








