Renan Santos, do Missão, é um retrato de um país distópico. Mas muito real e ameaçador. Foto: Reprodução
Por Aldenor Junior
Quem poderia imaginar que o andar de baixo da política fosse descer tanto? É um poço sem fundo.
A pregação neofascista com um profundo ranço misógino deu nesse Renan, um jovem putrefato.
É um show (de horrores). É um encontro de meliantes, criminosos resolutos. E ainda cobram por isso. Dinheiro, dinheiro, eis tua bandeira, apóstolos do que há de pior no horizonte (cruz credo!)
O Missão, a legenda brasileira caçula desta eleição, tenta se mostrar disruptiva. Nascida do histriônico MBL, o partido de Renan anuncia um “Congresso Nacional” a ser realizado em SP, no próximo sábado (1o), para promover a candidatura presidencial de seu líder.
Detalhe: será um convescote vip com ingressos valendo até R$ 7.014,00, como num verdadeiro show de sub-celebridades
Renan é um ator canastrão. Todos da sua espécie carregam um sonho reprimido. Querem brilhar nos palcos, querem ser estrelas de shows bizarros. Mas, sobretudo, querem enriquecer e se tornar da elite (coisa que jamais conseguirão, aliás). São uns recalcados e desse trauma tende a se criar o caldo tóxico da guerra contra os pobres e dos que carregam a diferença no rosto , suas vítimas potenciais.
A questão mais preocupante é perceber parte da juventude – a tal geração Z – embarcando nessa canoa furada. Anti-sistema? Não, esses caras são a face mais perversa do Sistema, com S maiúsculo de safadeza.
A candidatura de Flávio continua sangrando, devagar e sempre. É cedo para afirmar que, no meio do caminho, essa anemia favoreça a ascensão de um cavalo (no duplo sentido) que venha de baixo, relinchando feito um Renan.
O Brasil não merece tamanha desgraça.
Porém, a América do Sul está repleta desses seres abjetos.
Nunca como hoje a luta contra o fascismo definiu tanto a encruzilhada que separa civilização de barbárie.
Que ninguém, ninguém mesmo, esqueça disso.
Aldenor Junior é jornalista.








