‘Terceira via’ só é viável tirando Bolsonaro do páreo, diz analista

De acordo com o cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Cláudio Couto, uma eventual candidatura de centro-direita nas eleições do ano que vem depende do enfraquecimento do presidente Jair Bolsonaro. Isso porque o outro polo da disputa, da esquerda à centro-esquerda, está ocupado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conforme revelam as pesquisas de opinião. Nesse sentido, interessa não apenas ao país, mas principalmente a esse grupo chamado de “terceira via” o impeachment do atual ocupante do Palácio do Planalto.

A informação é da Rede Brasil Atual

“A única viabilidade da terceira via é tirando o lugar de Bolsonaro”, disse Couto, em entrevista a Glauco Faria, para o Jornal Brasil Atual, nesta segunda-feira (13). Para o analista, isso pode ocorrer de duas maneiras: ou por meio do impeachment de Bolsonaro; ou por conta do seu paulatino enfraquecimento até as eleições.

“Bolsonaro é um destruidor do país. A ninguém interessa chegar a 2022 com um sujeito como esse, arrebentando tudo o que vê pela frente, nas políticas públicas, nas instituições, na natureza e em tudo aquilo que é importante para a nossa existência”, disse Couto.

Por outro lado, o analista afirma que esses grupos de centro-direita hoje pagam o preço da “antipolítica” que ajudaram a insuflar nos últimos anos. Além disso, falta um nome que empolgue o eleitorado.

São esses os fatores que explicam, segundo ele, a baixa adesão aos protestos contra Bolsonaro liderados por pré-candidatos da terceira via. Em São Paulo, contaram com a presença de nomes como do governador de São Paulo, João Doria, o ex-governador do Ceará Ciro Gomes e o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE). No entanto, o marcado antipetismo de alguns grupos presentes nessas manifestações – como MBL e Vem pra Rua – inviabilizou a adesão de setores da esquerda.

Bolsonaro recolhido

Para Couto, também é questão de “minutos” para que Bolsonaro volte a atacar as instituições. “Em breve, ele volta à carga. Sobretudo quando se sentir um pouco mais seguro e confortável”, avalia o cientista político. Ele disse que o que levou Bolsonaro a recuar da sua investida golpista do 7 de setembro foi justamente o temor pela abertura de um processo de impeachment contra ele. Setores do PSD e do PSDB, por exemplo, começaram a tratar abertamente do tema. Contudo, esse impulso parece ter arrefecido, após Bolsonaro assinar uma carta elaborada pelo ex-presidente Michel Temer acenando para uma “pacificação” entre os Poderes.

“É só ele se sentir seguro que volta a atacar as instituições e a democracia. Aí começa tudo de novo. O que não pode parar é a conversa a sério sobre o impeachment de Bolsonaro. Imagina o que será ficar 16 meses com esse lunático na presidência da República, produzindo todo esse tipo de confusão”, alertou Couto.

Assista à entrevista:

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