Dia da Consciência Negra: Pretas na política, o racismo tenta, mas não as cala!

Deputada Vivi Reis, Vereadoras Bia Caminha, Enfermeira Nazaré Lima, Lívia Duarte

Em novembro de 2020, quando concluído o processo de eleições municipais em todo o país, 9 mil mulheres foram eleitas, do total de vereadores e vereadoras que passaram a ter representação parlamentar: 6,3% foram de mulheres negras. Embora tenha representado um avanço, o percentual ainda é inversamente proporcional à quantidade de pretos e pardos no Brasil, que somam mais de 110 milhões de pessoas. O Brasil é o país com a maior população negra fora do continente africano.

A capital paraense elegeu 35 nomes ao legislativo municipal, apenas 6 mulheres. Entre elas, três negras: Bia Caminha (PT), Enfermeira Nazaré Lima (PSOL), e Lívia Duarte (PSOL).

A Enfermeira Nazaré Lima assumiu o lugar de Vivi Reis, também do PSOL, mais votada de Belém para o cargo de vereadora, sendo eleita com 9.654 votos, que assumiu a vaga de deputada federal na Câmara Federal, em Brasília, no lugar do então deputado Edmilson Rodrigues, eleito prefeito da capital. Bia Caminha, foi a vereadora mais jovem eleita para a Câmara Municipal de Belém, na época com 21 anos.

Vozes ativas contra o racismo estrutural que por séculos vem garantindo aos brancos o controle dos espaços de poder no Brasil, atuar no legislativo tem sido um desafio constante, sendo obrigadas a enfrentarem ataques com conteúdo racista, insultos e ofensas em decorrência de suas atividades políticas.

No dia Consciência Negra, celebrado neste dia 20, através de suas redes sociais, elas falam sobre os desafios que ainda se impõem para a igualdade racial no Brasil.

“O dia da consciência negra é sobre memória, estamos aqui porque muitas outras existiram e insistiram antes de nós. Eu sou porque nós somos! Muitos não querem que ocupemos esses espaços e irão fazer de tudo pra desistirmos, mas não iremos. Viva a força da mulher preta! Viva as nossas vereadoras! Viva a mulher preta na política!” Livia Duarte

“Subjugados, diminuídos, escravizados, mortos. Essa é a história que carrego nas minhas veias, na minha ancestralidade. Mas não é somente isso: tenho também força, cultura, gingado, sobrevivência, amor e união! Ser uma mulher preta me ensina todos os dias sobre resiliência, lutar pelo meu espaço, pelos meus direitos. Então te convido hoje, no dia da Consciência Negra, a avaliar o histórico de racismo estrutural no país e no mundo – as desigualdades que cercam as pessoas pretas, a morte por nossa cor de pele. Estamos aqui, estamos vivos e vivas, e não vamos parar. O racismo tenta, mas não nos cala!” Enfermeira Nazaré Lima

“O combate ao racismo precisa avançar. Apresentei esta semana na Câmara dos Deputados projeto de lei que proíbe a nomeação para cargos em comissão de pessoas condenadas por crime de racismo. Infelizmente, ainda registramos muitas condutas racistas e discriminatórias que resultam em preconceito de raça, cor, etnia e religião no Brasil. A ideia do projeto de lei é reforçar o sistema de proteção à dignidade humana, já que é inadmissível que um servidor público, cumprindo pena, ou sujeito aos efeitos de condenação por crime relacionado ao racismo seja responsável por aplicar ou elaborar políticas públicas para grupos sobre os quais já demonstrou incapacidade de respeitar.” Vivi Reis

“Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela”
“O Brasil não merece o Brazil de Bolsonaro. Nesse dia da consciência negra marcado por um ato contra um projeto de morte do governo federal em curso, relembro que há resistência, há esperança e vamos construir ao lado do povo os caminhos para superação das desigualdades e do racismo estrutural. Juventude negra viva!” Bia Caminha

Atualizado, 14:46

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