Muros com pichações de facção na periferia de Belém (Foto Ascom PC).
Belém, sede da COP30 e vitrine internacional da Amazônia, enfrenta um cenário de insegurança que se agrava silenciosamente. O estudo Cartografias da Violência na Amazônia 2025, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que a Região Metropolitana de Belém está entre os principais pontos de consolidação do crime organizado na Amazônia Legal. As facções, especialmente o Comando Vermelho (CV), o PCC e grupos locais, ampliam sua presença territorial usando a lógica dos “microterritórios”, áreas vulneráveis marcadas por precariedade urbana, ausência de Estado e economia clandestina.
Na capital, bairros como Guamá, Terra Firme, Jurunas e Bengui registram avanços significativos das facções, que utilizam casas de apoio, rotas urbanas e redes de jovens em situação de vulnerabilidade como engrenagens de seu domínio. O estudo revela que Belém tornou-se um “hub intermediário” entre o litoral, os portos e as rotas fluviais que conectam o Pará ao Amazonas, Amapá e Maranhão.
Essa dinâmica se intensifica com a presença do porto de Vila do Conde, em Barcarena, identificado pelo Fórum como um dos principais pontos estratégicos para o escoamento de cocaína e produtos contrabandeados para a Europa e África. A BR-316, que integra cidades como Marituba e Ananindeua, também aparece como corredor crítico de circulação de armas e drogas, servindo de suporte logístico ao crime metropolitano.
Belém, por sua densidade populacional, sua estrutura precária de policiamento comunitário e sua posição geográfica privilegiada para mobilidade fluvial e rodoviária, tornou-se um terreno fértil para disputas entre facções. O Fórum destaca que a ausência de políticas urbanas e sociais consistentes deixa milhares de jovens expostos a redes de aliciamento.
Apesar desse cenário, o estudo aponta que intervenções articuladas de prevenção, combinando urbanismo social, fortalecimento da inteligência policial e políticas para juventude, ainda são possíveis e necessárias. Para uma cidade que, por algumas semanas, recebe atenção internacional, a violência urbana é um lembrete de que a COP30 acontece em um território que vive, todos os dias, efeitos concretos do abandono estatal.








