Em operação conjunta com a Aeronáutica e Marinha, a Polícia Federal apreendeu um submarino artesanal na ilha de Marajó. Foto: Reprodução/R7

Se Belém é o centro urbano pressionado pela expansão das facções, o arquipélago do Marajó representa o extremo da vulnerabilidade amazônica. O estudo Cartografias da Violência na Amazônia 2025, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, dedica atenção especial à região, apontando-a como um dos epicentros da violência estrutural mais grave da Amazônia Legal.

Nos 16 municípios marajoaras, a presença de facções não é o único problema: ela se soma à pobreza extrema, ausência de Estado, isolamento geográfico e economia ilegal consolidada. O Fórum classifica o Marajó como uma “zona de alta incidência de crimes predatórios associados ao colapso institucional”, marcada por rotas fluviais usadas para tráfico de drogas e armas, pirataria de rios e roubos de embarcações, exploração sexual de crianças e adolescentes, milícias rurais e grupos armados ligados ao garimpo e à grilagem, e violência doméstica e feminicídios acima da média da Amazônia.

O relatório destaca que ilhas como Soure, Salvaterra, Breves e Afuá são utilizadas como corredores pelos grupos criminosos que cruzam o delta amazônico para alcançar o Amapá, o Baixo Tocantins e o litoral do Pará. Breves, em particular, é citado como ponto de abastecimento e redistribuição logística, uma espécie de “posto avançado” da criminalidade interestadual.

A ausência quase total do Estado cria uma zona cinzenta onde a violência se reproduz sem interrupção. O estudo afirma que crianças e adolescentes marajoaras têm três vezes mais chance de serem aliciados por grupos criminosos do que jovens de outras regiões da Amazônia. A exploração sexual, descrita como “violência sistemática”, é apontada como uma das crises mais graves do arquipélago.

A conclusão do Fórum é que nenhuma política ambiental, de desenvolvimento sustentável ou de transição econômica para a Amazônia será bem-sucedida enquanto o Marajó permanecer como um território vulnerável à violência, à exploração e ao abandono. A segurança pública no arquipélago é um pré-requisito para qualquer avanço social.

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