Documentos enviados ao MPPA relatam redução de aulas, fim de atividades essenciais, ausência de profissionais e riscos à segurança de crianças na Escola Bosque e unidades antes vinculadas à fundação. Fotos: Reprodução

Pais, mães e professores da Escola Bosque vem denunciando ao Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) uma série de problemas que estão afetando o funcionamento da Escola Bosque e de unidades anteriormente vinculadas à fundação, provocadas pelo descaso da gestão de Igor Normando (PSDB). As queixas incluem supressão de atividades pedagógicas, redução da rotina escolar, falta de professores e profissionais de apoio, ausência de estrutura adequada e até risco à segurança de crianças em área com ameaça de queda de árvores.

Em reunião com o MPPA, na última sexta-feira (19), professores relataram a supressão de atividades consideradas essenciais, como artes, informática, biblioteca, leitura, reforço escolar, educação física e Atendimento Educacional Especializado (AEE). Também foi informado que houve redução da carga horária semanal para apenas três dias de aulas regulares, além da utilização de pessoal não docente para suprir a ausência de professores.

A situação já havia sido denunciada por pais e mães de alunos do 2º ano do ensino fundamental da Escola Bosque. Eles também afirmam que auxiliares de sala chegaram a ficar responsáveis por administrar aulas sozinhos, em razão da ausência de professores e da falta de atividades antes ofertadas pela escola. Para eles, a situação provoca prejuízos diretos ao processo de aprendizagem das crianças.

Os professores afirmam que os impactos se agravaram após a extinção da Funbosque. O documento aponta ausência de atendimento técnico especializado, especialmente de assistente social e psicólogo, profissionais considerados fundamentais para mediação de conflitos, acompanhamento das condições sociais dos estudantes, fortalecimento do vínculo escola-família e suporte à saúde mental.

Os docentes também relatam que as salas de informática estão inoperantes, tanto pela ausência de professor quanto pela falta de manutenção dos equipamentos, o que comprometeria o uso de tecnologias educacionais. Há ainda problemas no transporte escolar, com ônibus em condições precárias, superlotação e uso recorrente de “bondinho” emitindo fumaça excessiva, prejudicando a saúde de alunos e servidores.

Outro impacto citado pelos professores é a descontinuidade das atividades do Ecomuseu da Amazônia na Ilha de Cotijuba, consideradas relevantes para a formação dos estudantes e da comunidade em relação ao território e aos mestres da cultura popular local. Também foram mencionadas mudanças na estrutura pedagógica da antiga Escola Casa da Pesca. A unidade teria deixado de ofertar turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA), e os cursos técnicos integrados de recursos pesqueiros e profissionalizante de pesca e aquicultura teriam sido encerrados.

Na área de infraestrutura, os professores afirmam que tem havido falta de manutenção predial e as turmas do 6º ao 9º ano estão superlotadas e em salas sem ventilação adequada. Também dizem que há apenas três acompanhantes escolares para mais de 15 alunos atendidos pelo Atendimento Educacional Especializado, o que inviabilizaria um atendimento adequado e inclusivo.

Além disso, há falta constante de papel para impressão de atividades escolares, ausência de distribuição de livros didáticos e redução no fornecimento de água mineral, situação que teria levado servidores a realizar coletas financeiras para garantir hidratação adequada, especialmente diante das altas temperaturas.

A Escola Bosque, que já foi referência em educação ambiental, atravessa hoje o pior momento de seus 30 anos de história. A instituição vem sendo progressivamente descaracterizada, abandonada e sucateada pela atual gestão municipal, deixando estudantes de Outeiro e das ilhas de Belém sem acesso pleno ao direito à educação pública, inclusiva e de qualidade.

Deixe um comentário