Empreitada anti-eleitoral de Bolsonaro é mais uma imitação tosca e barata do trumpismo norte-americano

Por Ju Abe

Seguindo a narrativa de Donald Trump nos EUA, como já era de se esperar que uma cópia barata o fizesse, Bolsonaro, já desesperado pelo mal desempenho nas pesquisas eleitorais, segue sua empreitada em busca de descredibilizar o processo eleitoral brasileiro.

Ontem o ministro do TSE Luis Roberto Barroso manifestou publicamente indignação em relação à atitude do presidente, que vazou dados sigilosos de uma investigação da Polícia Federal junto à Justiça Eleitoral, com o intuito de desacreditar o processo eleitoral brasileiro.

“Faltam adjetivos para qualificar a atitude deliberada de facilitar a exposição do processo eleitoral brasileiro a ataques de criminosos” disse o ministro, referindo-se ao fato de que o vazamento de dados sigilosos pode facilitar o ataque de milícias digitais aos órgãos eleitorais. 

Investigado no STF (Supremo Tribunal Federal) pelo vazamento, Bolsonaro decidiu não comparecer à PF na última sexta-feira (28), em Brasília, apesar da determinação do ministro Alexandre de Moraes para obrigá-lo a depor. O tribunal nega que o ataque tenha comprometido a segurança das eleições, mas afirma que os dados vazados por Bolsonaro eram sigilosos e não deveriam ter vindo a público.

A poucos dias atrás, domingo dia 30, Donald Trump também atacou publicamente o processo eleitoral americano. Ainda inconformado com sua derrota, o ex-presidente utilizou uma discussão corrente no Congresso estadunidense sobre as leis que regulam as contagens de votos, para tentar invalidar mais uma vez o resultado das eleições de 2021, que deram vitória ao democrata Joe Biden.

Trump aproveitou os debates no Congresso dos EUA em torno da lei da contagem de votos, e mais uma vez disse que as eleições teriam tido “ fraudes e muitas outras irregularidades…”.

Como  um presidente possa “importar” uma narrativa e grotescamente aplica-la à um contexto diverso como o do Brasil e ainda assim conseguir tantos tolos para nela acreditarem é que ainda consiste uma incógnita difícil de compreender.

A empreitada anti-eleitoral de Bolsonaro é a bola da vez nos discursos que compõem as suas redes de Fake News.

Mas ainda surpreende o fato de um mandatário ter um cinismo tão grande a ponto de importar mentiras de maneira tosca, moldando-as ao contexto brasileiro, como últimas tentativas de salvação do seu barco à deriva, e nesse conto do vigário ainda ter tanta gente embarcando.

Bolsonaro é uma cópia tosca e descabida de Donald Trump, importando as mentiras contadas por ele nos EUA para serem plagiadas e difundidas em versões verde-amarelas, conseguindo terreno dentro de um país onde boa parte de sua população ainda ignora as coisas do contexto global.

Eis que o imperialismo norte-americano começa a tomar entornos cada vez mais perigosos para a democracia, permitindo que líderes importem e globalizem mentiras, com o intuito de elegerem seus cães-de-guarda mundo afora.

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